CLÁSSICOS DAS ÚLTIMAS PALAVRAS – 5

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“PODE VIR QUE ELE É MANSO”

Típicas palavras de donos de cães, domadores de circo, criadores de orcas, ou de qualquer idiota que ache que tem o domínio sobre um animal irracional com o triplo do seu tamanho, o “Pode vir que ele é manso” é mais um clássico exemplar das últimas palavras. Palavras que só não são mais fatais devido ao instinto de sobrevivência inato de alguns de vocês que, sabiamente, mantém uma distância média de 14 metros de quem profere esse tipo de besteira. Afinal, quem confia na sabedoria animal está apenas provando que tem menos sabedoria do que um animal. E aquele que nunca tremeu diante de um cão mostrando os dentes tem menos sabedoria ainda. Ou tinha, a depender do caso.

O que muita gente não entende é que o reino animal não é muito confiável. Qualquer um com mais de dois neurônios é capaz de perceber que cães são parentes de lobos, gatos são parentes tigres, e apresentadores de TV são parentes das antas. Simples assim. Todo animal domesticado já foi selvagem um dia. Qualquer zoólogo pode confirmar que a diferença genética entre um lobo e um cachorro é mínima, o que significa que todo cão carrega um lobo dentro de si. Menos os pequineses, que se parecem com alguma coisa que os lobos mastigaram e carregam dentro de si.

Analisando friamente, veremos que o ser humano não tem tanta culpa quando é confundido com um brinquedo de morder por um Rottweiller. Há mais do que uma mera morte estúpida neste ato. Ele é tão somente a comprovação de uma grande falha natural: a ausência de memória biológica, uma lacuna da evolução humana tão grave quanto à calvície, o apêndice, e a ausência de caudas. Se a humanidade se lembrasse do perrengue pelo qual seus ancestrais passaram com outros predadores jamais chegariam perto de um chihuahua que fosse.

Vocês podem ter se esquecido do seu passado, mas eu não. Presenciei a evolução desde o dia em que vocês desceram das árvores e posso dizer sem ter que fazer média: na pré-história a raça humana não passava de uns MACAQUINHOS RIDÍCULOS. Os homens eram os manés da selva, o tira-gosto das matas, o esparro da estepe. A floresta era uma espécie de churrascaria Porcão dos grandes predadores onde a carne principal era a humana. Macios, fáceis de capturar e de digerir, o homem era o café da manhã, o almoço, e o jantar, da maioria dos predadores, e o que sobrava as hienas ainda levavam numa quentinha para casa. Para terem uma idéia, muitos dos animais que hoje são tidos como prato principal, como cervos, gazelas, e zebras, na época eram uma espécie de desprezado cupim enquanto a humanidade era a preferida picanha nobre.

Por isto é inexplicável o fato da humanidade, após levar uma surra de milhões de anos e abandonar a vida miserável das selvas, ainda manter amizade com certos animais e, pior, trazê-los para dentro de casa chamando-os de “melhores amigos”. Mais do que falta de orgulho, é burrice, e o “Pode vir que ele é manso” é um convite para dividir esta burrice com alguém. Obrigar alguém a esquecer que um pastor alemão tem a alma de uma besta-fera sanguinária apenas porque o bicho está de banho tomado, e com uma tirinha de couro no pescoço escrito “Totó”, é uma das mais pérfidas sacanagens a que alguém pode submeter seu semelhante.

Portanto, quando lhe disserem estas palavras, saiba que o medo em seu peito, ou o peso extra em suas calças, é apenas o reflexo de milhões de anos de história de uma relação ancestral e inteligente com os animais. Em outras palavras: corra e poupe o meu trabalho.

Acho que foi Rudyard Kipling quem disse que você até pode tirar o tigre da selva, mas jamais tirará a selva do tigre. Eu já acho que você até pode segurar no pescoço do seu pitbull, mas jamais conseguirá segurar um pitbull no seu pescoço.

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Próximo Clássicos das Últimas Palavras: “APROVEITA QUE O SINAL ESTÁ AMARELO!”

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4 pensamentos sobre “CLÁSSICOS DAS ÚLTIMAS PALAVRAS – 5

  1. Eu acho que a Morte já perdeu um pedaço da túnica pelos dentes de um Rottweiller!

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