PONTOS MORRIDOS

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O campeonato brasileiro, tal como está hoje, é um cadáver insepulto. E se tem uma coisa que eu odeio é serviço largado na mesa.

Nunca o futebol apresentado em um campeonato foi tão ruim, com exceção, talvez, dos três que o São Paulo ganhou seguidamente, e o último que o Flamengo ganhou por W.O. coletivo dos outros 19 times.

Por isto gostaria de aproveitar este blog para fazer uma proposta muito séria à CBF. Como sei que os dirigentes do futebol brasileiro tem pavor de mata-matas (até então o meu preferido, ÓBVIO) eu sugiro uma terceira alternativa ao campeonato de pontos corridos. Proponho um campeonato de pontos MORRIDOS, ou, mais popularmente, o Morre-Morre.

Seria uma disputa onde, em vez de perder ou ganhar pontos, os times perderiam JOGADORES conforme a sua escolha. O sistema funcionaria simplesmente matando alguns titulares e reservas dos times derrotados e mantendo todos os dos vencedores. Em vez de pontos, jogadores. Funcionaria assim:

– Em caso de uma vitória simples, o time todo sobrevive.

– Em caso de derrota, três jogadores morrem.

– Em caso de empate, cada time perde um jogador.

Simples e prático, não? O número de rodadas seria indefinido e o time que mais vencesse (ou sobrevivesse, o que dá no mesmo) seria o campeão.

Este sistema é similar ao que Roma utilizou na época dos gladiadores e sempre deu certo, posso garantir. Pelo menos nunca vi nenhum cidadão romano queimando bandeira ou pedindo cabeça de imperador depois de uma apresentação no Coliseu.

As vantagens de uma mudança como essa seriam inúmeras, mas posso destacar algumas:

A VOLTA DO FUTEBOL ARTE – Os jogadores pernas-de-pau seriam eliminados logo de cara nas primeiras rodadas e a qualidade média de todos os plantéis subiria em semanas, porque só os craques sobreviveriam.

CAMPEONATOS MAIS CURTOS – O sistema encurtaria o número de rodadas, já que se durar mais de dez periga todos os grande clubes virarem times de futebol de salão.

REBAIXAMENTO DESCOMPLICADO – Não haveria clubes rebaixados. Afinal os quatro times que mais sofressem derrotas já estariam embaixo da terra antes do final do campeonato. A zona da degola finalmente faria jus ao nome e todos os clubes pensariam duas vezes antes de voltar à primeira divisão pra outro fiasco.

TORCIDAS SATISFEITAS – Sabe quando um torcedor tem vontade de matar um jogador que faz corpo mole em campo? Este seria um sonho realizado. É o sistema perfeito para os clubes agradarem seus torcedores de verdade. Afinal, melhor do que colocar alguns pernas-de-pau na geladeira é colocá-los num necrotério de vez.

EMOÇÃO GARANTIDA – O melhor de tudo, claro. Certamente os jogadores entrariam com mais garra no campo e se matariam mais pelos seus times. E não só no sentido figurado, ele se matariam DE FATO.

Eu me proponho a transferir o passe de cada jogador para o além. Poderia fechar um contrato com cada clube, pois tenho uma empresa esportiva registrada, a SOUL TRAFFIC, forneço nota e tudo. Se a Federação topasse, na parte que me toca, eu estaria disposto a fazer esse esforço. Tudo pelo bem do esporte brasileiro.

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A Morte acha o ônibus dos jogadores tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube.

ESPECIAL – MORTE NA TV

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Não adianta arrancarem as calças pelas cabeças, ameeegues: eu estou em TODAS e a TV embarcou na onda como sempre. Porém, muitas vezes, pra não dizer quase todas, a TV erra na minha representação com figurinos horrorosos e sem o menor glamour. Peguei quatro exemplos recentes só para começar.

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Hello, Brasew, antes de mais nada é preciso deixar claro: o Marco Nanini é VERY COOL e não se fala mais nisso, right? Mas, porém, contudo, entretanto, essa roupitcha de Morte, hummm… não lhe caiu bem. O sobretudo até que está charmoso, mas a cartolinha está mais para Zé do Caixão do que para Grim Reaper e a foice é pequena demais para a composição toda. Falha ho-rro-ro-sa da Grande Família, uma produção tão fófis, mas que também erra às vezes, néam? Nota 4.

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Mel Déls! Mas o que o fofo do Greg Duvivier está vestindo, gentchi?! Morte de camiseta preta Hering basiquinha? Ele foi buscar quem desse jeito? E o que é esse cabelo cheio de duas pontas?! Sem falar que eu jamais usaria um louro abertaço 9.0 (nunca passei do 6). Parece que uma caveira loka e biscat está tentando comer o cabeça do ator. Como diria uma amiga minha, tá UNCU. Pronto, falei. Nota Zero.

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Apesar das produções mega-fashion dos states acertarem em quase tudo, este Reaper de Supernatural me dá vontade de mandar o maquiador e o figurinista irem tomar no coo de barquinho! Desde quando a Morte parece o Fred Kruegger que não pega um sol há duzentos anos? E esta camisa branca com gravata preta? Só se for pra combinar com o seriado que é SO BOOORING! Nem dá pra dar nota.

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Maoe! Beeesha, que-que-é-isso?!! Quando vi os dentões de fora a fora pensei que fosse a Natália Casassola fazendo cosplay de Gato de Alice. Mas não é nada disso: quem está por trás da máscara é o mais que onipresente Bruno Mazzeo gravando para o Junto & Misturado da Globo. Composição quase perfeita. Tirando a olheira Bento Carneiro’s style, ficou um charme a luva branca. E eu quero, preciso, NECESSITO desta gravata xadrez, meu must have do momento. Nota 8 pro geral.

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A Morte acha que todo artigo sobre etiqueta deve ter afetação, termos em inglês, e frescura. E em breve lançará seu seriado “Everybody loves Death” produzido pela Sony, mas parece que só será exibido na REDE TV!.

CANÇÕES DO ALÉM – GOSTAVA TANTO DE VOCÊ

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Alguns leitores deste blog me acusam de forçar a barra para encaixar a temática da morte em algumas canções que falam apenas de amor. Mas o que ocorre aqui é o exato contrário: VOCÊS é que forçam a barra ao não quererem encarar a verdade. Vocês é que não percebem que falam de morte até quando acham que falam de amor e outra coisas. Portanto, nem adianta quererem discutir: a canção “Gostava tanto de você”, eternizada na voz de Tim Maia, é mais uma canto fúnebre SIM, triste SIM, que tem a morte como elemento central SIM. Pois somente sob esta ótica a letra desta conhecida campeã de rodas de violão faz algum sentido.

Primeiro, atentem para o tempo verbal do título e do refrão. O nosso personagem GOSTAVA de alguém, o que pode ser entendido de duas formas: quem canta gostou de alguém e agora não gosta mais ou gostou de alguém que agora NÃO EXISTE MAIS. Como não faz o menor sentido criar uma canção para alguém que você não gosta, o empacotamento do objeto amado fica mais do que patente. O que se comprova logo no início.

Não sei por que você se foi

Quantas saudades eu senti

E de tristezas vou viver

E aquele adeus não pude dar

Para mim está claro: a canção se refere a alguém que morreu e, pior, de forma REPENTINA. O “Não sei por que você se foi” revela uma certa negação da morte, muito comum de viúvas de quem foi pras picas e sem ano pra voltar. Reparem também na fatalidade melodramática do verso “E de tristezas vou viver”. Pensem comigo: não é trágico e fatalista demais para alguém que tenha levado um simples pé-na-bunda? O último verso fecha o caixão: “Aquele adeus não pude dar” trata-se de um típico lamento de alguém que perdeu o ser amado sem esperar. Quem nunca ouviu um “puxa-nem-pude-me-despedir-de-fulano” ao se referir a uma morte inesperada? É muito comum. Provavelmente este sujeito, ou esta mulher, é daquele tipo que se remói de culpa e ainda se joga sobre o caixão no velório, ou no enterro, e berra “Não se vá, Edinaldo!”, aquele tipo de gente que paga mico em velório, desmaiando. Um horror.

Você MARCOU na minha vida

Viveu, MORREU na minha história

Chego a ter medo do futuro

E da solidão que em minha porta bate

Trecho cuja primeira metade é bastante auto-explicativa e prescinde de maiores desdobramentos: está se falando de morte LITERALMENTE. Quem nega isso não apenas é burro como tem sérios problemas de alfabetização. E a preocupação com o futuro é coisa de gente que perdeu alguém sem ter um seguro de vida ou uma herança para receber. Ou seja, quem morreu deixou o outro na merda. Provavelmente com dívidas. Troque a metafórica “da solidão” por “do cobrador” e releia o trecho todo. Não faz mais sentido agora?

Eu corro, fujo desta sombra

Em sonho vejo este passado

E na parede do meu quarto

Ainda está o seu retrato

Aquele que achar que há romantismo neste trecho merece um tratamento psiquiátrico. Nada pode ser menos romântico que uma pessoa que sonha com o passado e foge correndo das “sombras”. Isto é coisa de filme de terror. Há, claramente, uma boa dose de CULPA aí, irremissível, das brabas, e que permeia todo o restante da canção. Outro detalhe importante: que tipo de gente inútil e sem auto-estima mantém na parede do quarto a foto de quem lhe deu um fora? Ninguém. Se não acredita em mim, olhe para as paredes da sua própria casa, do seu próprio quarto, e procure a foto daquela vagabunda, ou daquele safado, que um dia lhe chutou. Encontrou? Claro que não. Você é normal! Agora procure pela foto de um avô querido que já partiu, de uma mãe que já faleceu, de um pai ou um amigo que você nunca vai esquecer. Se você for alguém com coração e que preza a família tenho certeza que você terá uma foto assim. Não acertei?

Não quero ver pra não lembrar

Pensei até em me mudar

Lugar qualquer que não exista

O pensamento em você.

Notem que retirar o retrato da parede não basta. Porque esta pessoa cogita até em se mudar de LUGAR para não pensar no outro. O correto aqui (caso a canção se referisse a alguém que ainda estivesse respirando, claro) seria o medo de reencontrar o ser amado com outro, ou com outra, mais feliz, reconstruindo sua vida. Mas o narrador nem sequer pensa nisto. Ele apenas quer evitar de PENSAR em quem partiu, e só. Se isto não servir de prova que a canção fala de alguém que bateu as botas, não sei o que mais pode provar.

Alguns críticos consideram esta letra estranha e um tanto fraca. Nem uma coisa nem outra. A letra de “Gostava tanto de você” é claríssima e revela o desespero profundo de alguém que não aceita a morte do ser amado a ponto de cogitar mudar de casa, e de vida, para tentar superar a perda. E vocês cantando isso em barzinhos… A humanidade é desprezível.

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P.S.: Um leitor acaba de me enviar uma informação que eu desconhecia por completo. Parece que circula pela internet um BOATO de que esta música, gravada por Tim, mas composta por Edson Trindade, fala da morte da filha do compositor. Só tenho duas coisas a dizer: a primeira é que a coincidência comprova que minhas análises de “Canções do Além” trazem mais verdades do que gostariam meus críticos e reiteram o que escrevi em meu primeiro parágrafo. A segunda é que não me lembro se a história da filha do Edson Trindade é boato…

LETRAS MORTAS 5

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Ouvi o grito jamais por mim esquecido
e corri no tempo de um último gemido
e encontrei o corpo estirado sobre o pasto
e a pedra ainda na mão do irmão nefasto

Que fugiu como se tivesse pressentido
que o céu se abriria num pacto rompido
de onde o pai desceria com seu olho vasto
mas constrangido fingiria não ver o rasto

do primeiro crime e de seu primeiro réu.
Forjou-se ali, então, o homem e o meu papel:
seria eu o senhor de todo e qualquer fim

e a de um inocente a prima alma a ir ao céu
que no caminho confessou-me o nome: Abel
enquanto Deus ainda indagava por Caim.


MORTE