A CENA EXCLUÍDA DE BAMBI

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Sinto em dizer isto aos meus leitores mais jovens, mas é fato: o cinema de hoje não está com nada. A molecada emburrecida que cresceu assistindo a bombas como Premonição e Jogos Mortais não tem noção do que é uma boa morte cinematográfica. Vísceras, sangue, cabeças e órgãos decepados podem até ter alguma graça na vida real, mas no cinema, me desculpem, é tosqueira demais para o meu refinado gosto artístico.

Na sala escura eu prefiro a sutileza, o clima, a arte, de sentir a morte de um personagem de forma lenta e contemplativa. Pra ver gente morrendo de forma besta basta-me o dia-a-dia. Bala perdida serve pra isso.

Por isto que de todos os empacotamentos da sétima arte o meu preferido é a morte da mãe de Bambi. Considerada uma das cenas mais clássicas da história da animação a sequência toda é um primor: o silêncio frio após o tiro, a câmera focando somente o branco embaçado da névoa, a voz de Bambi ecoando à procura de sua amada protetora, até que o vulto do pai se aproxima e diz “sua mãe não virá mais”. Eis mais uma prova incontestável da sensibilidade de Walt Disney.

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O que poucos sabem, entretanto, é que Disney não chegou a esse resultado por acaso. Recentemente, revirando os arquivos os estúdios, pesquisadores encontraram os storyboards e o roteiro de uma cena alternativa cortada na edição final. Alguns especialistas discordam do material, mas eu atesto e dou fé: Disney havia imaginado a sequência toda diferente.

Em primeira mão segue a sequência que aconteceria imediatamente após o tiro do caçador.

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Pessoalmente, prefiro a versão que foi para as telas, mas se o criador do filme cogitou esta sequência é porque ela também tem seu valor. Quando Disney se descongelar (pelo menos não me lembro de tê-lo levado) poderemos tirar essa dúvida.

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