NAUFRÁGIOS: COMO ESCOLHER UM?

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Morrer em naufrágio é um clássico. O auge dessa moda foi em 1912, com o afundamento chiquéééérrimo do Titanic e hoje sobrevive de sucessos bastante espaçados como o Bateau Mouche em 1988 ou o do Lago Kivu no Congo em 2010.

Porém, como todo big classic, o naufrágio nunca sai de cena por completo. No mundo todo há sempre as pequenas embarcações que vivem emborcando em rios, lagos, baías, e isso garante a essas glamourosas catástrofes uma sobrevida impressionante no mercado da moda da morte.

E a temporada 2012 começou arrasando. Afinal, nada mais cool que um Transatlântico de casco pra cima e o acidente do Costa Concordia veio para comprovar: cruzeiros podem ser cafonas e até estarem em baixa mas, no fundo, e bota fundo nisso, os naufrágios estão em alta.

Para quem procura se manter antenado com as últimas tendências da moda, e curte a idéia de empacotar no quintal de Iemanjá, nada é mais simples do que se tornar um marinheiro de primeira e única viagem com classe e elegância. Go ahead, sigam com atenção as dicas abaixo e boa viagem (ou não).

A primeira regra básica para se escolher um bom naufrágio é a do Salgado & Frio versus o Doce & Quente. Ou de forma mais clara: quanto mais salgada e fria a água, mais chique é o naufrágio. Quanto mais insípida e quente, mais brega.

Claro que uma pequena balsa virada no Rio Paraíba tem seu encanto. Mas, convenhamos, perde feio se comparado à imagem inesquecível de um transatlântico emborcado no Atlântico Norte. Ou alguém é capaz de imaginar o Leonardo di Caprio se afundando na represa do Guarapiranga? No way!

Apaixonantes, marcantes e charmosos, naufrágios marítimos como os do Titanic ou Poseidon permanecem na memória das pessoas, definem estilos, e marcam suas épocas. Seja numa baía, num canal, ou mesmo próximo ao continente, nada é mais IN do que morrer afogado em águas salinas.

A segunda regra para um bom naufrágio é ficar atento a distância da costa. Para uma desgraça marítima de verdade, quanto mais distante da Terra, mais phyno o naufrágio será. Afundar em alto-mar é um must e se o mar for o Mediterrâneo em pleno inverno europeu aí se é looosho!

Como tudo que é clássico também é moderno e prático, os naufrágios em águas salgadas também tem outro elemento que os colocam acima dos seus similares de água doce: predadores charmosééérrimos. Existe algo mais encantador do que ver vocês vestirem um tubarão branco em três ou quatro bocadas? Eu acho que não.

Alguns conservadores poderão dizer que jacarés e crocodilos também garantem boas mortes em agua doce, but, come ON! Vamos combinar? Répteis são UÓ, nunca aparecem quando mais se precisa deles. Na minha opinião jacarés só caem bem em pólos Lacoste e como matéria-prima de bolsas da Victor Hugo. Mas quando se trata de dar cabo de vocês são the horror, the horror. Esqueçam.

A terceira regra vale para quem não tem poder aquisitivo para um naufrágio marítimo. A idéia é se garantir nos detalhes. Evitem rios de correnteza forte que possam dificultar a localização de corpos, no caso, o seu. Afinal, um cadáver perdido no Mar da Noruega é uma gafe, mas tem charme. Já um corpo não achado na pororoca do Rio Amazonas é de envergonhar a família e vira piada. Run!

E é só isso. Como diz a velha canção de Dorival Caymmi, “É doce morrer no mar”. Hoje eu diria que é mais do que doce: é fashion! Portanto, anote essas regrinhas e embarque nessa. Para o fundo e avante!

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A Morte acha que todo artigo sobre etiqueta deve ter afetação, termos em inglês, e frescura.